Sistema de Saúde em Edmonton – para residentes temporários
Como já mencionei
em algumas postagens, algumas regras canadenses (tanto para vistos,
permanência, trabalho, estudo, inclusive sistema de saúde) mudam de acordo com
a Província, portanto o que vale aqui em Alberta pode não valer para Ontário, por exemplo.
As informações
que colocarei abaixo não substituem qualquer outra fornecida por um órgão
governamental ou assistencial, ok? São baseadas no que eu obtive como resposta e como está
sendo nossa experiência.
Inicialmente,
foi bem complicado saber com certeza se seríamos ou não cobertos pelo
Sistema de Saúde daqui. Por quê? Bom, porque a maioria dos sites e blogs
falam apenas sobre residentes permanentes (imigrantes) ou sobre estudantes
(que ficam por um período de até 6 meses).
Por via das
dúvidas, antes de sairmos do Brasil, contratamos um Seguro de Saúde
Internacional pelo período de 12 meses, com uma cobertura bem ampla. O valor pago
para 3 pessoas foi em torno de R$ 5.000,00. É, é uma quantia bem relevante, mas
quando se viaja com crianças é melhor não arriscar.
Quando passamos pela imigração em Toronto, o atendente nos disse que todos nós teríamos cobertura do Alberta Health Care Insurance durante o nosso período de permanência no país.
Ao chegarmos em
Edmonton, fomos com a documentação toda para encaminharmos as respectivas
carteirinhas. Lá, para nossa surpresa, foi informado que apenas meu marido
teria cobertura por 1 ano. Eu e o Lorenzo teríamos direito apenas 6 meses e
que o restante do período teríamos que contar com nosso seguro privado.
Tentamos argumentar, mostrando para a atendente o documento fornecido pelo
próprio setor de imigração, onde constava que todos os benefícios do meu marido
estendiam-se aos dependentes (no caso, eu e o Lorenzo). Ela não quis saber e
ainda ficou debochando, dizendo que aquilo ali não servia para nada, que teria
que ter um documento em cada passaporte com as mesmas informações, para que fosse válido.
Aquilo foi um
choque por duas razões: uma porque contrariava qualquer tipo de informação que
eu tinha obtido (ou você tem direito ou não tem direito; esta conversa de 6
meses era totalmente nova para mim); e outra, que a pessoa que nos atendeu foi
bem estúpida e grosseira, algo bem diferente do que tínhamos visto até o
momento no Canadá.
Saímos de lá com
a certeza de que gente idiota havia em todos os lugares. Mas quando se trata de
serviço burocrático, o risco de toparmos com uma aumentava exponencialmente.
Após algumas
semanas, chegaram nossos “Personal Health Number”, senti muita vontade de ir
jogar nas fuças dela, conversar
com esta senhora e mostrar que ela estava errada e NÓS ESTÁVAMOS CERTOS, pois a
data de expiração da carteira veio com a mesma data de término do nosso visto.
Mas, enfim... é
isso aí; nós temos a cobertura do sistema de saúde público daqui.
Neste site aqui
você encontra muita informação a respeito do Alberta Health Care Insurance:
documentação necessária, quem é elegível ou não, cobertura, etc.
O mais
importante é saber que no caso de você ficar menos de 12 meses, o melhor é
contratar um seguro saúde antes de sair do Brasil, pois o custo médico é bem alto por aqui.
Sobre o uso
efetivo dos serviços médicos/hospitalares:
A primeira vez
que utilizamos o serviço foi a vacinação contra a Influenza. Diferentemente do
Brasil, aqui toda a população é vacinada.
Outro choque de
realidade: fomos super bem atendidos por todas as pessoas do Posto de
Vacinação. É que o Lorenzo já havia tomado a vacina no Rio, e tínhamos dúvida
se ele deveria ou não tomar uma nova dose.
A enfermeira foi
super cuidadosa; foi informar-se a respeito das cepas (strains) que continham
na vacina canadense e comparar com as do Brasil (eu levei anotado qual era o
tipo de vacina que o Lorenzo havia recebido).
Comparando, ela
achou melhor vacinar, eis que na vacina canadense havia uma cepa diferente da
que é aplicada no Brasil.
Ahh, aqui a
vacina infantil é tipo um soro de nariz. É uma borrifada e pronto. Sem dor, sem
choro, sem dor de cabeça.
Outra coisa legal
é que eles de fato fazem uma entrevista com as pessoas antes de aplicarem a
vacina. Eles explicam as contra-indicações, os efeitos colaterais, o que você
deve tomar caso fique com febre, essas coisas. Recebemos até um papel com todas
as instruções. Bem como deveria ser, né? Mas não é. E nem adianta povo falar
que "ah, mas no Brasil é muita gente; se ficar de blablabla, cria fila,
etc"; que aqui também estava cheio e mesmo assim fomos bem atendidos e
tratados como gente.
No final de
Novembro utilizamos outro serviço de saúde aqui: o da Emergência Infantil.
Claro que quando
saímos loucamente com o Lorenzo passando mal, nem sonhávamos como seríamos
atendidos.
Mas ao final,
deu tudo certo!
Fomos direto ao
Hospital da Universidade. Lá, primeiramente uma enfermeira fez a triagem,
pedindo os sintomas, medindo febre, tirando a pressão, pesando a criança. Tudo
delicadamente e atenciosamente... aquelas coisas de praxe em Posto de Saúde
(#sqn)
Depois fomos
atendidos por uma médica (acredito que residente – fomos na Emergência do
Hospital da Universidade - já que depois veio outro médico falar com a gente). Ela
o examinou novamente, conversando conosco a respeito dos sintomas.
Aí ela explicou
direitinho o diagnóstico, nos disse o que deveríamos fazer caso a crise
retornasse e sobre medicamentos.
No caso, o
Lorenzo teve croup. É uma infecção (ou inflamação) das vias aéreas superiores,
que impede a criança de respirar. É horrível! Pelo que a médica disse, isso é
bem comum aqui e é transmitido por vírus. Assim, ele não precisaria de
antibióticos. Na verdade, eles aplicaram o medicamento no Lorenzo lá no
Hospital mesmo. O remédio tem um efeito que dura por 5 dias (que é o prazo
previsto para os sintomas passarem).
Se a tosse
persistisse, nos disseram para dar um xarope de mel mesmo, para acalmar a
irritação na garganta. E só. Ahh, e contrariando tudo que as nossas avós dizem,
mandaram a gente sair com ele no ar gelado (agasalhado, claro), que isto também
ajudava nas crises.
Saímos de lá com o Lorenzo já medicado e com um papel com todas as instruções e telefones de emergência:
Tudo saiu
conforme o script: depois de 5 dias a tosse sumiu e tudo voltou ao normal.
Sobre atendimento médico regular:
Aqui, funciona
da seguinte maneira: você primeiramente escolhe um médico, chamado Médico da
Família, que geralmente é um clínico geral. Não te parece familiar? Sim, se
você não sabe, no Brasil também temos o famoso PSF – Programa Saúde na Família.
O intuito era implantar o sistema inglês (que também é o modelo copiado aqui,
pelo jeito), no trato da saúde. Por alguma razão (má-vontade, quem sabe?), isso
não foi adiante em terras tupiniquins. (Ao menos do que tenho notícia, isso era
um programa federal, que as Prefeituras poderiam ou não aderir. Não sei se
ainda tem).
Voltando a como
é por aqui: enfim, você escolhe o teu Family Doctor. Aí, quando quiser
consultar, é com ele que tu vai falar. Nada de “aii, acordei meio hipocondríaca
hoje... vou agendar com a dermatologista, com a gine, com o neurologista...”
Nananinanão. Você vai no teu médico, consulta, e SE ele achar que você deve ir
ver um especialista, ele te encaminha. Mais ou menos como acontece nos postos de
saúde brasileiros.
Só tem direito a
fugir das regras dois tipos de pessoas: crianças e grávidas. Por razões óbvias,
não tecerei maiores comentários.
Até agora não
utilizamos este serviço. Na verdade nem escolhi nosso Family Doctor. Sei, é uma
coisa bem relapsa mesmo, mas é que a gente sempre espera que não vai precisar,
né?
Mas vou procurar
me informar quais médicos tem disponibilidade de atendimento – sim, que fiquei
sabendo que os melhores são disputados a tapa – e depois posto aqui a
experiência.
Alguma dúvida?
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Obrigada pela visita.


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