# Gaúchos pelo Mundo: Tatiana



E hoje é segunda-feira, dia de post novo aqui no Blog.

Bom, sei que havia falado que a série Gaúchos pelo Mundo iria ser publicada todo dia 20, MAS, excepcionalmente HOJE, teremos mais uma entrevista - êeêeee.

O motivo é bem simples, a Tatiana (entrevistada de hoje) é administradora da conta @gaúchospelomundo no Instagram e gostaria de compartilhar algumas coisa conosco, já que nosso intuito é o mesmo. Vamos lá conhecer esta gaúcha que saiu de Canoas [quase] direto para Cingapura?


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A entrevista de hoje é com a Tatiana Backes Vier. Ela nasceu em São Leopoldo mas foi criada em Canoas, local onde morou até o final de 2008, quando decidiu sair do Brasil. A Tati tem 31 anos e  é formada em administração, com habilitação em Comércio Exterior pela Unisinos; tem também um MBA pela UFRGS/Sorbonne/ESC Troyes. Trabalha há 13 anos com logística internacional e namora há quase 2 anos um americano que conheceu em Cingapura.

Gardens by the Bay


Primeiro, a pergunta clássica: por que resolveu mudar?

De Canoas saí diretamente para Troyes, uma cidadezina cerca de 1h de Paris onde fiquei por 4 meses estudando. De Troyes parti para Cingapura e tirando um período de 1 mês que passei em Paris para terminar os estudos e muitas viagens por aí, estou vivendo nessa pequena ilha no sudeste asiático há 6 anos. Antes disso passei 1 mês estudando inglês em San Diego em 1999.

Em 2008 eu tinha 24 anos. Estava na fase de transição depois de formada e ir para uma pós-graduação. Estava trabalhando há quase 7 anos na mesma empresa. Analisava se valia a pena comprar um apartamento e ter uma dívida por 20 anos. Minha vida amorosa estava toda enrolada. Enfim, estava tudo meio confuso e chato ao mesmo tempo. Daí surgiu a oportunidade do MBA na França em parceira com a UFRGS. Me inscrevi, fui aprovada, pedi demissão , avisei minha família, tudo isso em 3 dias. Nem sabia se teria dinheiro suficiente e meu francês era limitado a bonjour. Resolvi arriscar sem pensar muito. Se não desse certo, eu voltava e começava de novo. Em 3 meses estava embarcando. 

No final das minhas aulas em meados de abril de 2009, recebi uma proposta de emprego em Cingapura através de meus contatos no Brasil. Não tinha pensado em morar na Ásia, e Cingapura não era tão conhecida no Brasil como hoje. Mas como já tinha dado o primeiro passo, resolvi aceitar o contrato de 8 meses que se tornou um contrato por tempo indeterminado. 


Qual foi o primeiro impacto em terras estrangeiras?



Na França passei por situações bem características, como os franceses só falarem francês contigo, e serem bem rudes [e fedidos também]. Teve alguns casos de preconceito, como o segurança do supermercado que sempre nos seguia pelos corredores. Mas também conheci franceses legais (e não fedidos) e tive contato com gente de tantos outros países na universidade; então era uma mistura de várias experiêncas.


Em Cingapura o primeiro impacto com certeza foi o calor e umidade. A porta do aeroporto parecia a entrada para o inferno. Fui me acostumando, mas posso dizer que o ar-condicionado tem sido meu melhor amigo nos últimos 6 anos.

Qual foi a maior barreira e/ou dificuldade cultural (ou até mesmo social) enfrentada?

Vou falar de Cingapura pois é aqui que estou há mais tempo. Cingapura é uma ilha pequena e com uma população enorme de estrangeiros (38%) então a convivência nunca fica restrita apenas aos locais. Apesar de meu inglês já ser bom, entender tantos sotaques não foi fácil no início. 

Também não é muito fácil para uma mulher ocidental solteira achar um namorado. Aqui é ótimo para quem quer se divertir porque a maioria dos estrangeiros está de forma temporária e poucos pensam em relacionamento. Além disso, muitos homens ocidentais dão preferência às mulheres asiáticas. 

No trabalho, senti dificuldade em ser respeitada pelos homens cingapureanos mais velhos. Trabalho muito com os nossos escritórios pela Ásia e com alguns, como China, foi bem difícil. Mas depois de uns anos, já consigo conversar com a grande maioria no mesmo nível. 
2009 - primeira vez assistindo circuito de Formula 1. Atrás, o leão jogando água é Merlion, símbolo do país. E aquelas obras ali na esquerda da foto é o famoso hotel Marina Bay Sands ainda em construção.

De que forma essa mudança impactou tua vida e como você vê tua terra natal após essas experiências?

Acho que quando ficamos apenas em um lugar, o nosso mundo acaba ficando pequeno também. Eu não tinha idéia disso até sair do Brasil. Quando me mudei, mudei também e continuo me adaptando. Preconceitos, idéias preconcebidas não fazem mais muito sentido. 

E também me avalio mais. Aqui sou considerada muito emotiva, tenho que me controlar bastante quando há um problema, e sempre avaliar se estou usando apenas a razão para reagir. A flexibilidade brasileira é uma grande vantagem, mas as nossas emoções (ou excesso delas) nem sempre são bem vistas.

Aqui tenho uma qualidade de vida melhor. Não tenho mais medo de andar na rua. Tento fazer mais atividades diferentes. E descobri o vício de viajar. Já estive em 34 países e sempre tenho pelo menos uma viagem planejada pela frente. Não consigo mais ver minha vida sem viagens.


Tenho uma mistura de sentimentos com relação ao que deixei para trás. Não posso dizer que nunca oltarei, mas se puder escolher, eu não volto. Tenho pavor de viver com medo novamente. Não tenho mais paciência com a ineficiência de algumas coisas no Brasil. Tem o lado ruim de ficar tão longe da família e ver amigos casando, tendo filhos e essas coisas que só quem mora fora entende como é difícil. Porém a gente coloca isso num cantinho e tenta não mexer muito, aprende a conviver com isso.

Teve alguma história engraçada ou mesmo peculiar que tenha te acontecido?

Bah, são tantas situações... 

Aqui em Cingapura meu nome nunca sai Tatiana. Geralmente é Tatania ou Tatina. E tem uns no trabalho que querem ficar mais chegados e me chamam de Tat. Larguei de mão e atendo por qualquer som que se pareça com o meu nome. 

Na França, um dos coordenadores da universidade veio correndo dizer que não poderiamos fumar dentro do prédio. Mas estávamos tomando chimarrão, na verdade.

No meu primeiro ano em Cingapura a mãe de um colega de trabalho faleceu. Uma colega me perguntou se eu queria dar uma condolência. Depois de pedir para ela explicarem exatamente o que queriam, entendi que era uma vaquinha para ajudar nas despesas do enterro. Me perguntou o que a gente faz no Brasil. Eu disse que a gente dá um abraço na pessoa. A menina anotou: Tatiana 10 dolars + hug.

O que tu manténs da cultura gaúcha?

Eu tomo chimarrão pelo menos uma vez por mês. Não tem erva mate para vender por aqui, então tenho que consumir aos poucos os pacotes que trago e guardo eles na geladeira. Reuni alguns gaúchos para umas mateadas também. Já fiz cueca virada e deu super certo. Faço carreteiro com frequência, um dos pratos preferidos do meu namorado. Apesar de ter diminuido o consumo de carne (é bem caro por aqui), ainda como bem mais do que a maioria dos locais. 

Para não perder o costume: chimarrão no Jardim Botânico de Cingapura


Se fosse retornar ao Rio Grande, o que levaria contigo?
A vontade de viajar, de conhecer lugares. Depois que sai do Brasil eu percebi que não conhecia nada das belezas do nosso Rio Grande, como os Aparados da Serra ou o templo budista de Três Coroas. Conheci esses lugares nas minhas visitas ao Brasil. Agora toda vez que retorno escolho um lugar no Rio Grande do Sul para conhecer. Se retornar para morar com certeza iria explorar mais o meu Estado, o Brasil e a América Latina.

Dicas para um gaúcho vindo para Cingapura: 
Traga erva mate, cuia, bomba, camisinha de bomba, farofa, mandolate e mel. Tem mel aqui, mas é bem caro. Apesar de já ter aumentado a oferta de produto brasileiros em Cingapura (dá para comprar Guaraná, pão de queijo...) ainda não em lojinha brasileira como nos Estados Unidos ou Europa. Cachaça (máximo 2 garrafas) e Engove também é bom ter por aqui.

Só venha morar em Cingapura se tiver o visto na mão, seja de trabalho ou estudo. Não tente, de maneira nenhuma, ficar mais do que os 30 dias permitidos para o visto de turista, ou seja, ficar de forma ilegal. Cingapura não é um país para tentar a vida e as leis são super rígidas.

Conte sobre a história dos @gauchospelomundo 

Sinceramente eu estava viciada no Instagram. Passava bastante tempo mexendo no meu perfil. E daí descobri que não existia ainda o @gauchospelomundo e #gauchospelomundo tinha sido usada apenas pouquíssimas vezes. Fiquei uns dias pensando se tentava ou não. Acabei criando o perfil em novembro de 2013. No início foi difícil achar seguidores. Muito futriquei nas hashtags para achar gente. E também investigo o perfil para saber se a criatura é gaúcha ou não. Em alguns meses o negócio começou a funcionar e já divulguei fotos de quase 300 gaúchos por esse mundo e a fila de espera é bem grandinha. É muito tri saber que tem gente tomando chimarrão no mundo inteiro, que tem um PTG China Véia na China, que 20 de Setembro é comemorado em vários lugares, que tem gente que carrega a bandeira do Rio Grande por onde vai. Espero continuar reunindo mais e mais gaúchos pelo mundo.

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Tatiana: muito obrigada pela tua participação. Espero que você apareça sempre por aqui, compartilhando um pouquinho da tua experiência em viver longe das terras gaúchas. 

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Espero que tu tenha gostado tanto quanto eu - adorei a história do abraço - aiaiaiaiai, esses latinos <3

E se tu tens Instagram, corre lá seguir o @gauchospelomundo... Tá passeando e quer compartilhar tua foto? Usa a #gauchospelomundo ou manda por direct para a Tatiana, que ela te coloca na fila :)

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