O ano em que não passei roupa - e fui muito feliz!
Hoje completamos 1 ano em terras
canadenses. Eu poderia fazer um post "remember" ou um top 10 das coisas que irei sentir saudade (bom, esse eu acho que ainda rola). Mas resolvi compartilhar uma coisa que venho pensando bastante nos últimos dias: o que me faz feliz? O que minhas escolhas influenciam nisso?
Bom, e daí que faz mais de um ano que não passo roupas. Para não ser tão mentirosa dramática, confesso que passei algumas camisas do Leonardo no começo. Mas
depois, vi que a técnica de tirar da secadora e logo pendurar em cabides
resolvia bem o problema. [Dica rápida: pendura a roupa no banheiro enquanto você toma banho. O vapor ajuda a desamassar bastante]. Relaxei de vez. Veja bem, relaxar no sentido de não
ficar me torturando pelo fato de não passar roupas, e não relaxar no sentido de
não fazer as coisas direito. Péssima dona-de-casa sim, relaxada nunca!
Mas e por que este desdém com as
golas engomadas e as roupas alinhadas? Não é desdém. É pura opção. Leia-se “tenho coisas mais interessantes e divertidas para fazer do que ficar de frente
para uma pilha de roupa para passar, sendo que muitas irão amarrotar novamente
no armário e eu terei que passar de novo”. Simples assim.
Uma grande vantagem que encontrei
em morar fora [temporariamente] foi justamente de aproveitar melhor o tempo. Não que eu seja uma
expert nisso. Pelo contrário, perco horas infinitas vendo vídeos toscos no
youtube. Maldito vício! Mas, ao menos parei de fazer coisas que me irritavam
simplesmente para agradar aos outros. E passar roupa era uma delas.
E como conviver com uma decisão dessas?
Ora, aceitando que, se não existe uma razão profunda para que se faça algo,
simplesmente não faça. E não se lamente por isso. Nem se torure. Aceite!
Canso de ver/ouvir/ler pessoas
produzindo frases do tipo “ah, queria tanto fazer outra coisa. Pena que não
tenho tempo”; ou “ queria tanto ser como fulana; pena que não posso”. Peraê.
Vamos redefinir o que significa esses “não possos” aí.
Que a vida é cheia de opções
todos os dias, isso todo mundo sabe, né? Que você pode optar desde ao abrir o
olho de manhã até fechá-lo à noite, confere? Ok. Tá, estou sabendo que existem
coisas que fogem um pouco do nosso controle, tipo, ser assaltado de meio-dia. Mas estou me referindo a coisas que sim,
estão ao nosso alcance. Basta uma ação ou omissão para que funcione. Bóra para os
exemplos, para ficar mais fácil? Seguinte situação: a pessoa quer muito ter um
corpo mais definido, mais magro ou mais musculoso – escolha aí o que se encaixa
melhor. E ela sabe que para isso
acontecer ela precisa ir para a academia/fazer alguma atividade física/comer
direito. Mas o que a pessoa faz? Acorda todo dia às 10hs da manhã e de meio-dia
vai comer no Bob’s. E depois, chega em casa e fica em depressão ao ver
foto/vídeo de pessoas com corpos iguais ao que ela deseja, e vai comer uma
barra de chocolate para espantar a tristeza, afinal, todo mundo consegue, menos
ela. Alguém aí SE RECONHECE conhece essa pessoa?
Voltando a redefinição do que é poder ou não poder: quando o que precisa é que você se disponha a fazer ou não fazer algo, significa que VOCÊ PODE. Tradução: você consegue. Você ainda só não decidiu pagar o preço necessário para isso.
Então... o que isto tem a ver com
a história de não passar roupa? Ora, para mim tem tudo a ver. Quando decidimos
fazer ou não fazer algo, precisamos saber lidar com esta decisão. Seja a
decisão de não perder tempo fazendo algo que não se gosta – incluindo aí
emprego, companhia, etc. – até quando optamos por fazer algo que gostamos em
detrimento de outras. Aí se encaixa bem um exemplo meu: eu adoro tirar foto.
Vejo muitas fotos lindas de nascer-do-sol, com luz da manhã, etc. Agora me
pergunta se eu acordo as 06hs da manhã para ver o Sol nascendo? É claro que
não! Eu adoro dormir... e colocando na balança tirar fotos lindas ao nascer do
sol e dormir até o próprio corpo dizer chega, eu fico com a segunda opção. Sim,
eu sempre me arrependo e penso: amanhã eu levanto! Mas isso não acontece e fico
COM ÓDIO DE QUEM CONSEGUE E POSTA FOTOS LINDAS NO INSTAGRAM me lamentando o resto
do dia por isso. Ou seja, ainda não aprendi completamente a conviver com
algumas das minhas decisões diárias.
Mas reconheço que conviver com
isso é necessário. Você não precisa fazer nada ou fazer qualquer coisa para ser
feliz. Basta optar por isso.

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