A mulher que escolhe
Hoje, sem nem saber que é o dia da mulher, o meu filho falou para o pai:
"pai, me ajuda a escrever uma carta para a mamãe".
"Mas por quê, filho? A mamãe merece?" [sim, meu marido me ama <3 ]
"sim, ela faz muitas coisas importantes".
E então, sem nem entender o quanto, o meu filho fez o meu dia [e porquê não minha vida?] mais feliz.
Percebo agora que fiz a escolha certa. Sim, que no meu caso eu escolhi ser mãe.
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| arquivo pessoal: Lorenzo e eu [07/03/15, Gallagher Park, Edmonton] |
Mas saiba que nem sempre é fácil esta percepção do "certo", pois a cobrança em cima da gente é muito grande: você precisa estudar, você precisa arrumar um bom emprego, você precisa casar, você precisa saber cozinhar, você precisa ser a mulher-maravilha em tempo integral, etc.
Então... além de ter escolhido ser mãe, eu também escolhi ficar 1 ano inteiro com ele em casa. Ou seja, sem estudar, sem trabalhar, sem ter vida social, sem nada. Vivendo quase que exclusivamente para a maternidade e para a minha casa.
Não digo que foi um ano fácil. Para as mulheres da minha geração, que foram criadas para serem apenas profissionais de sucesso e independentes, se ver como "apenas" dona de casa e mãe, é um choque de realidade. Tinha dias que desanimava; tinha dias que eu chorava; tinha dias que me arrependia...[da série "confissões do dia"].
Claro que quando via o Lorenzo todo fofo, rindo para mim, a nuvem negra se dissipava. Mas era um exercício diário de revisão de prioridades de vida. Eu queria ser mãe, eu queria cuidar do meu filho, eu queria estar com ele nestes primeiros momentos de sua vida, e não tinha outra opção naquele momento, a não ser abrir mão da minha vida profissional.
E quando eu digo apenas entre aspas, é para dizer que muitas pessoas (mulheres, inclusive), torcem o nariz para aquelas que querem se dedicar à vida doméstica. Como se isso fosse fácil. Ou como se isso fosse um crime ou uma afronta aos ideais feministas.
Estudando um pouco sobre o tema, você já percebe que de afronta não tem nada, pois o que o ideal feminista prega é a igualdade entre gêneros e a libertação da mulher de papéis previamente definidos pelos homens.
Ou seja, quando você opta por fazer aquilo que te faz feliz, você também é uma feminista, mesmo que não saiba. Até algum tempo atrás, as mulheres não tinham esta opção. Você era, obrigatoriamente uma dona de casa por nascimento. Depois, você seria mãe. Profissão? Uhm, quem sabe professora ou enfermeira. Outra escolha já era um abuso.
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| "We Can Do It!" by J. Howard Miller |
Hoje, as mulheres já estão desbravando novas áreas de trabalho. Claro que falta muito para conquistarmos as mesmas carreiras e salários dos homens, mas acredito que estamos no caminho certo.
A única coisa que me deixa de fato frustrada com toda esta revolução, é que muitas mulheres não entendem que querer ser mãe ou querer ser do lar não nos faz menos do que aquelas que optaram por serem profissionais de sucesso. E claro que o outro lado da moeda também é cruel: conheço algumas mulheres que não querem ser mãe, não querem casar nem nada disso e são crucificadas também.
Hoje já administro bem melhor esta questão: aproveito o tempo que tenho com meu filho, e graças a tecnologia, o meu trabalho não exige que eu fique 8 horas em um escritório. Então posso bem fazer as duas (ou vinte e nove) coisas ao mesmo tempo. Que só lembrando: nenhuma mulher é só uma coisa. Ela sempre é plural e multifacetada - quer coisa mais maravilhosa?
Se posso desejar algo neste dia especial é de que precisamos darmos as mãos, algumas sujas com tinta de caneta; outras com cocô de bebê, mas todas lutando por uma coisa só: liberdade de escolhas!
Cada uma sendo dona de sua própria vida. Se for dentro de um escritório, ótimo; se for dentro de casa, ótimo também. Desde que a escolha tenha sido sua!
Feliz Dia da Mulher pra ti também :D
*Este texto faz parte do ETC do grupo Rotaroots. Na verdade, eu iria escrever outro texto, outro dia, mas como não se apaixonar por um filho que diz HOJE que você merece um cartão porque faz coisas muito importantes?? <3


Ana, estou escrevendo com os pés porque com as mãos estou aplaudindo e MUITO! Você falou tudo que penso sobre feminismo e universo feminino.
ResponderExcluirAs mulheres ainda são muito desunidas em alguns aspectos e estão sempre disputando umas com as outras, sempre tem alguém com o dedo apontado pras nossas escolhas reproduzindo um discurso machista.
Também escuto muitas bobagens e já ouvi em um grupo feminista que eu não poderia ser, já que era mãe e desenvolvia o papel que o patriarcado espera de mim... mas quem me disse isso não parou pra pensar que além de feminista ainda crio outras duas? Mulheres conscientes, felizes e donas de suas escolhas e é disso que se trata o feminismo.
Incrível mesmo seu post.
Grande beijo, sua linda!
Obrigada :D
ResponderExcluirSobre estas "feministas" preconceituosas: eu já fui muito recriminada também. E não só com palavras, com olhares reprovadores também. É triste isso. Até porque, este tipo de pessoa que acaba com o ideal feminista verdadeiro, que é o de lutar por igualdade. Eu mesma já fui contra o feminismo por conta dessas extremistas. Mas depois que li mais e entendi melhor, eu percebi que não podemos nos deixar levar por estas xiitas de saia. Sério... pessoas sem noção existem em todos os lugares.
Mas agradeço de coração teu comentário. Fico muito lisonjeada.
Beijo enorme!!
Muito bom!
ResponderExcluirE o Lorenzo... vontade de esmagar mil vezes <3
hahahahha, logo logo tu vai poder esmagar ;)
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