# Gaúchos pelo Mundo entrevista: Camila, que saiu de Porto Alegre rumo à Europa.
A série de entrevistas continua, embora o blog esteja meio às moscas parado. E hoje, o bate-papo é com a querida Camila Sauer, que "num belo dia resolveu mudar", e saiu de Porto Alegre rumo a Europa, onde passou por diversos países. Quer saber mais sobre a aventura? Vamos lá, então:
A Camila é natural da cidade de Tuparendi, tem 31 anos e atualmente mora em Santa Rosa/RS, no noroeste gaúcho. Morou lá até os 18 anos de idade, quando foi para Porto Alegre cursar engenharia civil. Não concluiu o curso, mas aos 22 anos, tomou coragem e abandonou tudo pela necessidade de ter outras experiências. E assim foi o começo de muitas aventuras, como ela mesma conta na entrevista a seguir:
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| Camila, em Israel - ao fundo, o Mar Vermelho. |
BLOG - Quais lugares, fora do Rio Grande do Sul que você morou e por quanto tempo?
Dos 22 aos 28 eu morei na Europa, com uma breve passagem pelo Oriente Médio. Existiram alguns lugares que fiquei por alguns meses, tal como Inglaterra e Itália, mas o maior tempo foi em Dublin, na Irlanda. Entre idas e vindas a este país simples e frio, mas alucinantemente encantador, somou-se 4 anos na ilha esperalda, e foi portanto, o local que adotei como segunda casa.
BLOG - E a pergunta que não quer calar: por que resolveu mudar?
Bem, milhares de motivos. Primeiro, porque sempre existiu dentro de mim uma vontade incessante de sentir a vivência de outros lugares; de conhecer o mundo que eu encontrava nos livros e assistia em alguns filmes; o mundo que descrevia uma cultura diferente da minha. Além disso, existia uma insatisfação inexplicável diante da vida confortável que eu levava. Uma necessidade quase que imposta de viver coisas diferentes, de conhecer mais, saber mais, falar outras línguas, encontrar novas pessoas, ampliar o mapa de mundo. Embora na época eu estivesse estudando numa ótima universidade, fazendo um curso fantástico, essas experiências que eu precisava sentir, jamais viriam de dentro dos livros ou da sala de aula. Eu precisava me colocar em situações, digamos assim, de testes… essas coisas que a gente não explica.
BLOG - Sentiu algum impacto ao estar em outro país?
Na real, eu não senti nada muito impactante, além de uma sensação do tipo "ohh my, estou a milhares de quilômetros de distância de casa, e por minha conta em risco"... isso é excitante, é uma adrenalina muito boa de sentir. Obviamente, sair do Brasil e aterrizar num dos maiores aeroportos do mundo ( o de Amsterdam) deixa qualquer um fascinado com a grandiosidade e organização dos países desenvolvidos, e, ao mesmo tempo, gera uma decepção muito grande em relação a infraestrutura do Brasil. Esse tipo de comparação é impossível não fazer quando se chega num outro país.
BLOG - Mas tu já havia saído do país antes?
Eu tinha ido pra Argentina a passeio umas três vezes; e, uma vez pra o Paraguai, quando era criança… e foi tudo.
BLOG - Quais foram as maiores diferenças culturais que encontrou?
Das mais diversas. Especialmente questões religiosas. Sempre tive muita curiosidade relacionada a crenças, e morar fora me proporcionou a experiência de participar de vários rituais religiosos, sem discriminação. Foi muito interessante participar do encerramento do Ramadã junto com conhecidos muçulmanos, assim como foi excepcional celebrar o Chanucá com os judeus em Israel, e ainda conhecer as riquezas do vaticano na Itália. Essa confrontante diferença entre culturas, relacionadas ao sagrado me fez refletir muito e esclarecer muitas questões pessoais. Me fez amadurecer muito espiritualmente também, além de aprender a respeitar essas diversidades.
BLOG - O que trouxe na bagagem?
Eu trouxe na bagagem um violão (risos). Entre as viagens, descobri que a música é uma das mais belas formas de comunicação, e resolvi aprender a tocar. Além disso, aprender outros idiomas me fez perceber que eu havia conquistado uma habilidade comunicativa internacional indescritível (depois de um tempo você começa a acreditar que entende um pouco de quase todas as línguas ahahaha). O contato com várias culturas diferentes foi a experiência mais saborosa que optei em trazer comigo. Enfim, eu trouxe cada dia de experiência que eu tive. Até os desconfortos e situações não tao prazerosas,estão hoje, entre as minhas mais admiráveis. Eu me tornei muito mais segura e confiante. Isso tudo me engrandeceu demais. Com cada pessoa de um pais diferente se aprende alguma coisa. Se fascina com algumas, e se choca com outras.
BLOG - O que deixou por lá? - criou algum hábito ou esqueceu algum?
Acredito que eu tenha levado quase a sério demais as práticas de desapego, que se prega por aí, sabe? Mas isso faz eu me sentir leve - tipo pronta para a próxima. Eu tenho espÍrito de aventureira, precisei aprender a conviver com isso, eheheh. Quanto mais coisas materiais você tem, mais difícil se torna a partida, mais tempo você perde com coisas. Além desse aprendizado, claro, deixei algumas pessoas que sei que provavelmente nunca mais voltarei a encontrar, mas que gostaria muito. Mas carrego as lembranças, que proporcionam felicidade cada vez que se liberam na minha mente.
BLOG - De que forma esta mudança impactou tua vida e a forma como você vê a cidade em que mora agora?
Impactou de uma maneira muito positiva, certamente. Quando a gente vai lá fora, a gente enxerga tanta coisa, e consegue trazer ao menos um pouco o espírito de transformação (que nossas cidades e nosso país inteiro precisa)….Na real, eu não sinto que a forma de eu ver minha cidade tenha mudado muito…. mas tem essa coisa de se readaptar, e em alguns aspectos não é muito fácil, mas vai amadurecendo com o tempo e se tornando mais tolerante. A cidade onde eu cresci é a cidade onde estão minhas raízes, minha família toda e isso sempre conta.
BLOG - Aqui gostaria que tu contasse alguma história engraçada ou mesmo peculiar que tenha acontecido contigo, durante tua estada fora.
Cara, eu não consigo selecionar uma única históia pra descrever aqui…. eu começo a escrever uma e vem outra e já estou apagando e escrevendo faz alguns minutos, então, vamos fazer um fechamento de entrevista mais generalizado! Viajar é tudo de bom. Viver fora por um tempo (ou pra sempre?) é melhor ainda. É, na minha opinião, a melhor forma de expandir a mente, ampliar o horizonte e obter conhecimento. E aquele friozinho na barriga é a melhor parte, é o que faz a gente sentir as coisas. Turistar é legal, e também vale. Mas viver o cotidiano de outra cultura, não tem preço! Se a pessoa sente vontade, precisa tomar coragem e ir! Na grande maioria se torna a experiência mais valiosa da vida!
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Então, gente... o que dizer de tudo isso? Muito obrigada, Camila, por contar coisas que, com certeza enriquecem a vida de qualquer pessoa. Adorei a entrevista e, em tempos de tanta intolerância religiosa, fiquei bastante emocionada com teus relatos a respeito das tuas experiências. Por mim, faria mais umas dez entrevistas destas contigo, que obviamente, não esgotaria assunto - hahahahahaha.
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E você, já esteve na Irlanda também? Ou no leste europeu? Ou quem sabe na Patagônia ou China. Quer contar um pouco da tua aventura? É só escrever para aprochegandoblog@gmail.com. Ficarei muito feliz se você quiser compartilhar um pouquinho das tuas experiências com tantas culturas, independentemente do lugar em que você esteja. Ah! Estamos expandindo nossos horizontes: a partir de agora, você não precisa ser gaúcho para contar tua história. :)
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Aproveita e curte a página do blog no Facebook ou se inscreva para receber todas as atualizações do post no seu e-mail. Se tu gosta de fotos, pode me seguir por lá: @anaisabel.83. Por lá também, tu encontra a Tati, que mantém a ig @gauchospelomundo. Você pode participar mandando fotos de todos teus passeios pelo mundo, bastando para isso, que use a #gauchospelomundo ou mandando direct para ela ;)
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Nossa a Camila é um exemplo de coragem e iniciativa!
ResponderExcluirEu sempre sonhei em viajar, conhecer o mundo e mergulhar em outras culturas. O problema é que eu não faço a minima ideia de por onde começar, quais informações buscar. Sempre achei que deveria juntar muito dinheiro pra poder me virar em outro país, é assim mesmo? Já ouvi histórias de pessoas que viajaram sem um tostão no bolso. Adorei a entrevista com a Camila, é muito legal conhecer as experiências das pessoas!
beijos, Sobre Caracóis
Ahhh, verdade mesmo! Acho que todo mundo já pensou nesta hipótese: dane-se todo mundo, vou viajar, hahahhaha... quem nunca? Mas eu acredito que o mais importante é a vontade mesmo, sabe? Claro que ter dinheiro ajuda você a se organizar melhor, mas a falta dele não deveria ser um impeditivo para você deixar de fazer aquilo que sonha. Ter um objetivo já é um começo! Acredito que o primeiro passo tu já deu: você quer! A partir de agora, traça uma meta. De repente, você não precisa ir para a Europa. Tenta fazer o famoso "mochilão" pela América do Sul. O Chile é um país lindíssimo e o principal destino turístico da América Latina, se não me engano. Começa mais pertinho, por um período de tempo menor, para saber como é. Isso se você for mais comedida, né? Que do contrário, se joga, hahahahahahahha.... o mundo é o limite! Espero que você se inspire, pois vão ter mais entrevistas por aqui, e se, alguma delas te ajudar, ficarei imensamente feliz.
ExcluirE claro: não esquece de vir me contar depois como foram tuas experiências ;)
Beijos :)