O que esperar quando se está indo embora?

Em contagem regressiva para a volta ao Brasil.

Government House Park, vista do Rio North Saskatchewan


Quando decide-se partir, embora a despedida nem sempre seja alegre, há a ideia de desapego, de desafio, de liberdade; de romper com o que já foi estabelecido. E tudo isso junto, acaba nos inspirando em ir em frente.

Mas e quando temos que voltar? O que nos motiva? O que nos inspira? 


A despedida neste momento de retorno geralmente tem um gosto amargo.

São pessoas que não verei mais, momentos que não terei novamente, risadas, tropeços; coisas que não se repetirão. Ao menos não com a mesma intensidade que ocorre quando estamos em um momento "hiato" de nossa vida. 

Sim, pois eu sabia que não seria para sempre. Desde o começo, eu sabia que teríamos que voltar.
Government House Park trail


E este hiato nos torna pessoas mais intensas... Quero viver tudo, aproveitar cada segundo, conversar com todos, enfim, extrair todas as risadas possíveis de cada situação. 

Claro que não foi um ano fácil. Nós não viemos aqui a passeio. Nem sempre pude fazer tudo o que queria, nem ir a todos os lugares pré-estabelecidos por mim. Confesso que neste quesito, um fator que predominou nesta frustração foram as baixas temperaturas invernais. Mas não só o clima não nos permitiu. O trabalho, a rotina, essas coisas chatas de quem precisa de dinheiro no final do mês, sabe? Afinal, também temos um filho. E ele precisa de brinquedo comer, se vestir, e também de brinquedos. 

Mas o que fazer agora, nesses momentos finais neste lugar que tão bem nos acolheu?

Eu tenho refletido bastante a respeito do nosso retorno.  Tenho pensado em tudo o que me faz falta de verdade, e tudo aquilo que foi embora e nem percebi. 

Muitos passeios em playgrounds por aí...


O processo de desapego, que pensei ter começado no momento em que fiz as malas para virmos para cá (eu era a tradução da felicidade, pois minha mala pesou apenas 17kg) está na verdade só agora iniciando. Não foi só desapego das minhas roupas, calçados e badulaques que deixei para trás. Estou em um processo de desapego da alma. Das coisas que não me fizeram falta - e que, até então, achava que eram necessárias a minha existência - e que, só agora percebo o peso que faziam nas minhas costas.

As prioridades foram alteradas. E, embora eu saiba que "As pessoas podem mudar tudo. Mas há uma coisa que não podem mudar. Nem eu, nem ele, nem você. Ninguém. (...) As pessoas podem mudar tudo. De cara, de casa, de família, namorada, religião, de Deus. Mas tem uma coisa que não se pode mudar. Não se pode mudar de paixões" (O Segredo dos Seus Olhos - Se você ainda não viu, sugiro fortemente que veja. Ao menos assista este trecho), o espaço dado à elas - às minhas paixões - na minha vida foi redefinido.

Acredito que nos próximos dois meses - o período que nos resta em terras canadenses - vão ser extremamente gratificantes. 



Com novo olhar sobre mim mesma, vou ter a capacidade de desfrutar melhor de cada instante dessa jornada, que se iniciou alguns meses atrás, mas que só terminará depois que eu fechar os olhos para sempre. 

Happy family - Hawrelak Park


Cada ida ao mercado, cada passeio no parque, cada troca de palavras... tudo será aproveitado. Minha bagagem de volta será gigante. Levarei comigo toda gentileza que puder. Levarei também o que aprendi com culturas diferentes. Levarei a tolerância e a intolerência a certas coisas. Levarei as risadas, os passeios, as paisagens. Levarei tudo comigo, na minha memória. 

Uma vida nova nos aguarda a cada dia. Mas sem nos conhecermos direito, fica difícil de vivê-la plenamente. 


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2 comments:

  1. Esse sentimento de voltar deve ser bem complicado mesmo.
    Mas é como você disse, isso é algo que vai ficar pra sempre na sua história, e as coisas que você aprendeu por ai nunca mais serão esquecidas. Além de tudo mudar, né? Começando por você, que certamente não volta mais a mesma, haha. Aproveita bem esses últimos meses!

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