# Entrevista com Amanda - Da série 'Gaúchos pelo Mundo' - Contraponto
Hoje a entrevistada chama-se Amanda Lima e não é gaúcha. Aí você pergunta: mas não é uma série sobre pessoas que saem do Rio Grande para ir morar em outros lugares? É, é sim, mas quis trazer um contraponto à visão de quem sai do estado: aqueles que vão morar no Rio Grande do Sul. Como é acolhida? Como enxergam este estado tão cheio de histórias e orgulhoso de si mesmo? O que isso afeta na vida das pessoas? Isso e um pouco mais você vai saber agora:
- Amanda, fale um pouco sobre você e porque resolveu ir morar no Rio Grande do Sul:
Nasci em Cascavel – PR, mas fui criada em Ibema, uma cidade pequena (atualmente tem 6 mil habitantes) próximo à Cascavel. Moro em São Luiz Gonzaga desde abril de 2012. Sou acadêmica de Jornalismo na Unijuí, em Ijuí, e repórter da Rádio Missioneira. Mudei de cidade para ficar perto do meu namorado, porque a distância impedia nosso relacionamento.
- Como foi chegar no interior do Rio Grande do Sul (São Luiz Gonzaga)? Enfrentaste alguma barreira?
A primeira dificuldade foi em construir amizades em uma cidade desconhecida. No início não tinha amigos, a não ser os familiares do Rafa e aqueles que eram amigos dele. Desde que aqui cheguei tenho observado como as pessoas vivem aqui. É curioso que alguns costumes sejam tão diferentes. São pequenas coisas que as poucos fui me habituando.
- Quais costumes, por exemplo?
O hábito de tomar mate, independente da hora ou temperatura. Algumas comidas típicas, como arroz com galinha, charque ou mesmo a famosa torta fria eu nunca tinha visto no Paraná. Por incrível que pareça, até as festas de aniversário aqui são diferentes. Pelo menos as que fui aqui, são diferentes... a comida que é servida, o horário e até a forma de arrumar a mesa.
- Como você vê a sociedade gaúcha na qual está inserida? Existem padrões diferentes dos encontrados no Paraná?
Que me perdoem meus amigos gaúchos, mas vejo uma sociedade bairrista! Ahahah. Os gaúchos são antiquados e tendem valorizar só o que é daqui. Isso é ótimo, afinal é por isso que a cultura gaúcha é tão forte e assim continuará sendo. Mas em algumas situações já vi uma pontinha de preconceito e comentários chatos, dizendo que o que é de fora não é bom.
Os padrões não mudam muito, a cidade aqui é pequena, então os preconceitos são os normais de cidades do interior. Outra coisa que vejo aqui é a rivalidade entre Grêmio e Inter. Eu acho meio absurdo brigar por causa de jogo, não usar roupa vermelha por ser de Grêmio e vice versa. É o tipo de coisa que não existe no meu estado.. e sinceramente eu não acho bonito tanta rivalidade, que às vezes se torna violência. É engraçado que até mesmo algumas palavras e pratos são diferentes. Na minha última viagem ao PR, em dezembro de 2013, cheguei na padaria e pedi ‘cacetinhos’. Foi a prova que já sou um pouquinho gaúcha..
- Então, tratando deste bairrismo existente, de que forma você pensa ser possível conciliar a tradição da cultura gaúcha com a tolerância ao novo? Acredita que isso possa ser empecilho ao desenvolvimento local?
Penso que é difícil. O dia que os gaúchos não forem bairristas não serão gaúchos (risos). Eles são muito intolerantes ao novo e ao que é de fora. Penso que é isso que os diferencia dos demais e faz a cultura gaúcha ser até invejada lá fora. Isso é empecilho a partir do momento que deixam de aceitar uma ideia que traga o desenvolvimento, só pelo bairrismo ou coisa do tipo.
- Se pudesse inserir algo dos costumes da tua cidade em São Luiz, o que seria? E do contrário: existe algo que gostaria de levar daí para a tua cidade de origem?
Da minha cidade natal, Cascavel, gostaria de inserir a mente um pouco mais aberta para alguns assuntos. Daqui, talvez levaria o hábito de tomar mate na praça..acho bonito, rs. Falando em praça, as praças daqui são adoráveis.
- O RS tem tradição de ser um estado machista. Como você percebe isso em São Luiz Gonzaga? Existe diferença quanto a isto no Paraná?
Assim como o bairrismo, vejo bastante machismo por aqui. Eu estou longe de ser feminista, mas fico triste com isso. Apesar de nós mulheres estarmos cada vez mais à frente da sociedade, sempre vão existir homens que não acreditam na nossa capacidade. O machismo aqui é ainda mais forte do que no Paraná.
- Visita com frequência tua terra natal? Do que mais sente falta?
Visito sempre que possível. Gostaria de visitar mais, mas tem trabalho e faculdade, o que dificulta. Sinto falta dos familiares e amigos, além do clima, muito mais ameno e agradável que aqui.
- E por fim, estás totalmente ambientada em terras gaúchas?
Acho que eu nunca vou conseguir me ambientar ao calor dessa cidade, é anormal..hahaha. Mas tirando isso sim, tenho um bom emprego, amigos, gosto do estilo de vida aqui. Apesar dos preconceitos, como com as minhas tão adoradas calças jeans rasgadas, eu gosto muito das pessoas aqui. Admiro como a cultura não é deixada de lado, com a preservação dos costumes, ensinando os filhos desde pequenos. É algo que não vejo tanto no Paraná. Agora, quase dois anos depois, já estou adaptada ao estilo de vida são-luizense, mas como disse, nunca vou suportar 30° logo cedo no verão.
:)
Amanda, muito obrigada por partilhar teu ponto de vista aqui no blog e dispor do teu tempo para isso.
E você, curtiu? Não curtiu? Comente, pergunte, elogie... fique à vontade para deixar o seu olhar sobre os assuntos abordados.
Abraços e até a próxima.

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