# Entrevista com Paola - Da série 'Gaúchos pelo Mundo'
PAOLA LAZZARETTI VICTOR é servidora pública – conciliadora - em Palmas/TO. Mas nasceu em Santa Rosa, cresceu em Giruá, depois morou em Porto Alegre, voltou para Santa Rosa e em 2009 saiu do estado em direção ao norte do país. Hoje, ela vai nos contar mais sobre como é ser gaúcha em um estado tão diferente e tão novo como o Tocantins.
1. Qual foi o motivo da mudança? Já havia morado fora (do RS) antes?
Nunca tinha morado fora do estado. Mudei por motivos profissionais. O Tocantins é um estado novo, ainda com muitas oportunidades de trabalho em todas as áreas.
2. Você possui parentes próximos a ti, no momento?
Minha família está no sul. Tenho um tio que vive aqui no TO, na capital, e outro no interior do estado.
3. O que foi mais difícil para ti no começo?
O período de adaptação foi complicado e nem tão rápido. Muitas são as diferenças culturais, até porque, especialmente aqui, as pessoas são todas “forasteiras”. Por ser um estado novo e com oportunidades, pessoas de todos os cantos do Brasil estão aqui em busca de trabalho, de oportunidade, de qualidade de vida, enfim. A adaptação começa pelo vocabulário, muito diferente do gaúcho: palavras totalmente diferentes, maneira de falar e entonação. A forma de agir também é outra: nós gaúchos temos muita pressa de tudo, até mesmo quando não temos pressa pra nada. Aqui me parece diferente. As coisas andam mais lentamente. E pra quem sempre teve pressa, entender que as coisas podem funcionar em outro ritmo às vezes é complicado. Aprendi a ser mais cautelosa e a não pré-julgar o que não conheço. Me desprovi muito de “bairrismos” que me cercavam e que cresci ouvindo como verdades absolutas. Hoje entendo que temos um Brasil que abriga todos os tipos de culturas e que é possível convivermos com todas elas, respeitando cada uma.
4. Como você vê a sociedade na qual está inserida agora? Existem padrões diferentes dos encontradas em sua cidade natal?
Vejo como uma sociedade diferente da que eu sou natural, nem melhor nem pior, apenas diferente. As culturas se misturam incrivelmente aqui. Tenho amigos paulistas, cearenses, mineiros, gaúchos, e convivemos todos muito bem. A essência de tudo é saber respeitar as diferenças no sentido de entender que não há melhores ou piores, mas diferentes. Entendi isso vivenciando o dia a dia, convivendo com todos eles, entendendo cada um, observando seu jeito de falar, de pensar, de se portar, de ver a vida, de objetivos diversos, sua história, enfim. Penso que o segredo da boa convivência é esse.
5. Se pudesse inserir algo da cultura/sociedade gaúcha na cultura/sociedade da cidade onde mora, qual seria? E do contrário: tem algo daí que gostaria de ver refletido na sociedade daqui?
Acho o povo gaúcho muito orgulhoso da sua história e propagador disso. Por ser uma história de lutas, nos tornamos aguerridos e sempre querendo a evolução. É uma coisa que gosto muito e procuro explanar sempre que possível ou sempre que sou questionada. Admiro isso no nosso povo: orgulho do lugar que vem. De outro lado, acho interessante como o povo daqui leva a vida. Uma batalha diária, mas com o pensamento não tão longe. Viver o hoje é muito valorizado, sem preocupações muito exageradas com o amanhã. Aprendi a admirar isso nas pessoas que vivem aqui, por levarem a vida de forma mais “leve”.
6. O RS é tido historicamente como um estado bairrista. Como você percebe isso em Palmas? O Tocantins também possui alguma cultura mais bairrista?
Acho que nenhum povo é tão bairrista quanto o gaúcho. Cada um se orgulha de suas raízes, mas nós, gaúchos, fazemos questão de apresentar isso aonde quer que estejamos. Aqui, por exemplo, tem um CTG que promove atividades durante todo o ano, tem invernada artística e comemora a Semana Farroupilha como se no RS estivéssemos. Acho muito legal, porque dá pra matar a saudade da terrinha.
De outro lado, como já mencionei, aqui no TO as pessoas são todas forasteiras, de todos os cantos do país, por ser um estado com apenas 25 anos. Então acaba havendo uma miscigenação de “bairrismos”. Mas, sinceramente, nada perto do nosso (rsrs).
7. Existem semelhanças entre o RS e o Tocantins?
Vejo muito mais diferenças do que semelhanças. Por exemplo, as origens, o clima, a cultura, a população, etc.
8. Há poucos dias teve aquele fato envolvendo a torcedora gremista que chamou o goleiro do Santos de “macaco”. Como repercutiu isto aí?
Acho que o normal sabe? A repercussão maior que vi foi nos amigos do facebook do sul. Aqui, o que sai fora de Flamengo quase não dá ibope...(hahahaha).
:)
Paola, muito bom conversar contigo! Espero que numa próxima a gente possa falar um pouco mais sobre o teu trabalho, que fiquei bem interessada. Deve ser bem emocionante tratar com pessoas que tem uma história de vida (cultura, conceitos e até mesmo princípios) diferentes dos quais você esteja acostumada. Mas, enfim, espero poder contar contigo numa próxima. Obrigada !!
E você, curtiu? Não curtiu? Por favor, deixe seu recado nos comentários ;)

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